sábado, 25 de maio de 2013


TEXTO E HIPERTEXTO – RELATO DA EXPERIÊNCIA COM A TURMA DE 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL


O trabalho com texto e/ou hipertexto em uma turma de 1º Ano do Ensino Fundamental deve considerar, em primeiro lugar, a faixa etária das crianças – seis e sete anos – bem como as experiências prévias que cada uma tem com a escrita dentro de seu espaço familiar e social e, posteriormente, escolar. Sendo assim, torna-se fundamental realizar um trabalho partindo sempre de temas pelos quais a criança demonstra interesse, criando contextos significativos para que ela possa entrar em contato com os diferentes tipos de textos existentes, sejam eles conhecidos ou não, impressos ou digitais.
Ao professor alfabetizador, cabe a tarefa de planejar seu trabalho a partir da articulação dos saberes prévios dos alunos com a cultura escrita e das necessidades de leitura e escrita que eles precisam adquirir aos conteúdos básicos para o 1º Ano do Ensino Fundamental. E esse processo de planejamento é essencial para que o professor possa delimitar suas ações, sabendo quais objetivos pretende alcançar. Além disso, cabe ao professor organizar uma rotina que envolva diariamente atividades de leitura e escrita, tanto por parte dele como por parte dos alunos.
Segundo o Pacto Nacional para Alfabetização na Idade Certa[1] (BRASIL, 2012, p. 07), o processo de alfabetização e ensino-aprendizagem da Língua Portu­guesa para o 1º Ano, está direcionado por quatro eixos: leitura, produção de texto escrito, oralidade e análise linguística, incluindo a apropriação do Sistema de Escrita Alfabé­tica SEA. Ainda, “todo o trabalho com a alfabetização [...] está pautado na busca da realização de atividades que levem em consideração os usos sociais da língua escrita, não somente os escolares, mas também os relativos a outras esferas sociais” [2].
Tal descrição serve para introduzir e fundamentar como está sendo realizada minha prática em sala de aula, enquanto professora de uma turma de 1º Ano de Ensino Fundamental, após a implantação do referido programa em nossa escola. Diante disso, busco planejar minhas atividades na direção destes quatro eixos fundamentais e, consequentemente, desenvolvo em sala de aula uma rotina organizada de tal modo, a fim de considerar estes eixos em sua essência através de atividades permanentes, sequências didá­ticas, projetos didáticos, uso do livro didático, jogos e outras atividades complementares.
Para esta atividade, na qual preciso relatar alguma experiência com o uso de texto/hipertexto na educação, selecionei uma experiência recente e que desenvolvi dentro de um projeto organizado para comemorar a Semana do Dia das Mães na escola [3].
Previamente, como rotina, faço a leitura para deleite, que consiste em uma leitura diária para os alunos utilizando os livros de literatura de diferentes temáticas disponíveis no Cantinho da Leitura, na própria sala de aula. Como estávamos trabalhando sobre o Dia das Mães, busquei um livro chamado “Se as coisas fossem mães”, de Sylvia Orthof e Ana Raquel, para fazer a leitura deleite. Antes da leitura, realizei atividades de exploração da temática, para saber quais os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema e fiz os registros no quadro. Após a leitura, dialogamos sobre a história e convidei voluntários para recontá-la, de acordo com o seus entendimentos. Voltei, então, para os apontamentos feitos antes da leitura, para verificar se as informações que os alunos já sabiam correspondiam ou não com as informações que a história trouxe.
Seguindo com o planejamento, dei ênfase às palavras de destaque na história. Enquanto os alunos listavam oralmente os objetos que “seriam mães[4]” na história, eu fazia o papel de escriba, colocando-os no quadro. Solicitei que lessem as palavras escritas no quadro e, em seguida, utilizando o alfabeto móvel, tentassem formá-las. Ao final, os alunos ilustraram a história através de desenhos e escreveram as palavras no caderno.
No dia seguinte, fiz a retomada oral da história, destacando, novamente, os objetos que “seriam mães” [5]. A partir da história original, os alunos teriam que recriar outras possibilidades de objetos que poderiam ser mães e, também, mãe de quem eles seriam. Primeiro, fizemos o exercício oralmente, citando alguns exemplos e, depois, cada dupla recebeu o material necessário para criar um cartaz com outros exemplos. Neste cartaz, os alunos deveriam fazer os registros através da escrita das palavras e das ilustrações dos exemplos que criaram. Ao final, cada dupla apresentou aos demais as possibilidades que pensaram e os cartazes foram expostos na sala de aula.
No terceiro dia, a proposta da sequência didática foi desenvolvida a partir do uso do livro didático, um instrumento muito importante para complementar as aulas. O texto escolhido foi um trecho da marchinha de carnaval “Mamãe eu quero” [6] (CARPANEDA e BRAGANÇA, 2008, p. 92), previamente transcrito em um cartaz, fixado no quadro, para facilitar a visualização e a leitura. Assim como na leitura deleite, questionei os alunos sobre os conhecimentos prévios acerca desse tipo de cantiga e percebi que ela não fazia parte do cotidiano das crianças. Então, fiz as explicações necessárias e iniciamos com a leitura silenciosa, a leitura oral feita pela professora, a leitura oral coletiva, a interpretação oral, cantamos e dançamos a música e, ao final, realizamos as atividades complementares, tais como: identificação e exploração de palavras do texto, no caso “Mamãe” [7], leitura e contagem das letras, leitura da palavras, família silábica, palavras que iniciam com a mesma letra da palavra-chave, entre outras.
No quarto dia, fiz a retomada da música trabalhada no dia anterior com a leitura oral coletiva, cantando e dançando. Levei os alunos ao laboratório de informática e, com a ferramenta Word, pedi que reescrevessem a música trabalhada da forma como sabiam. Após, auxiliei-os na correção da escrita e na formatação da mesma. Na sequência, com a ferramenta Paint, os alunos ilustraram a música conforme a sua criatividade. Ao final, salvamos os trabalhos e fizemos a impressão para que fossem guardados no portfólio que cada um tem em sala de aula.
No quinto dia, busquei um jogo de letras e palavras para fechar a semana, a fim de que os alunos pudessem consolidar todas as aprendizagens por meio de situações lúdicas e, ao mesmo tempo, desafiadoras.
Diante de tudo o que foi exposto, é possível afirmar que o trabalho com textos em sala de aula deve acontecer quase que diariamente e depende muito do modo como o professor organiza as atividades de exploração do mesmo, para que estas não se tornem repetitivas e cansativas. Sendo assim, o desenvolvimento de atividades diversificadas proporciona aos alunos a interação e reflexão a partir dos diferentes tipos de textos, mesmo que estes não sejam conhecidos, como ocorreu nesta experiência e que também devem ser utilizados.
Como percebido no relato da experiência, não faço uso de hipertextos em sala de aula com meus alunos e isso se deve a alguns fatores: primeiro, porque os alunos de 1º Ano estão iniciando o seu processo de alfabetização e letramento e, conforme Luiz Antonio Marcuschi [8] (2001, p. 80), “não está claro ainda como desenvolver uma política de letramento acoplada a uma nova tecnologia de modo culturalmente sensível”. Segundo, porque sempre tive a concepção de que os meus alunos de 1º Ano fossem imaturos demais para usar as tecnologias, especialmente para navegar na Internet, afinal, nenhum deles possui computador em casa, visto a sua situação familiar. Então, para trabalhar com hipertextos, acredito que eles precisam ter maiores conhecimentos de informática, o que demandaria um tempo que já não dispomos, se considerarmos os programas que nos são estabelecidos para cumprir durante o ano letivo. Terceiro, porque, qualquer atividade que seja precisa ser muito bem pensada e planejada, e com o uso do hipertexto não poderia ser diferente. Assim, de nada adianta termos laboratórios de informática bem equipados e com acesso à Internet, se os professores não se sentem em condições para tal e se não há “reflexões críticas a respeito do uso da computação em sala de aula, o qual vem ocorrendo de modo ingênuo e despreparado” (MARCUSCHI, 2001, p. 81) [9].
Realmente, percebo essa falha como educadora, pois estou deixando de oportunizar aos meus alunos uma situação diferente de aprendizagem, especialmente nesta fase de alfabetização, e que, com certeza eles iriam gostar muito de fazer. Ao mesmo tempo, no decorrer do curso de Mídias na Educação, já modifiquei algumas posturas diante das tecnologias, o que me credencia novamente a corrigir essa falha e, futuramente, incluir o hipertexto na minha rotina em sala de aula.



[1] Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, Ano 1, Unidade 2. Brasília: MEC, SEB, 2012.  48 p.
[2] Idem.
[3] É importante salientar que, simultaneamente às atividades descritas, também foram realizadas outras atividades dentro das disciplinas de Matemática, Ciências, Geografia e História, conforme o projeto elaborado em nível de escola.
[4] Grifo do autor.
[5] Idem.
[6] CARPANEDA, Isabella Pessoa de Melo; BRAGANÇA, Angiolina. Porta Aberta: letramento e alfabetização linguística: 1º ano. São Paulo: FTD, 2008.
[7] Grifo do autor.
[8] MARCUSCHI, Luiz Antônio. O hipertexto como um novo espaço de escrita em sala de aula. Revista Linguagem & Ensino, vol. 4, N. 1, 2001, p. 79-111.
[9] Idem.

domingo, 12 de maio de 2013


ALFABETIZAÇÃO SOCIOCONSTRUTIVISTA®

Ler cuidadosamente antes de usar.

Uso pediátrico e adulto.

Planejamento ................................................100 mg
Dedicação......................................................100 mg
Intervenção-mediação ................................100 mg
Credibilidade.................................................100 mg
Mobilização....................................................100 mg
Diversidade de textos ................................100 mg
Amor ..............................................................100 mg

Informação ao professor

O processo de alfabetização precisa ser reconstruído. Para isso,devemos estudar muito e contar com teorias que embasem, que orientem o nosso trabalho. Aprendemos construindo e, para construir, temos que pensar. O professor deve ser mediador e saber como a criança aprende. É importante o trabalho em grupo. Caso surjam dúvidas desagradáveis durante a alfabetização, aconselha-se estudar mais e planejar melhor, selecionando novas atividades que favoreçam uma alfabetização eficiente.

Indicações

É indicada a todas as crianças, sem distinção de idade, cor, raça, religião ou classe social, e a jovens e adultos que ainda não tenham feito uso do medicamento.

Contra-indicações

Não tem.

Precauções

O trabalho deve estar centrado nos textos. É fundamental trabalhar com textos  diversificados.Mas esse trabalho,para ser eficaz,depende da intervenção que o professor vai fazer.

Reações Adversas

Professores que não acreditam na capacidade da criança de aprender e não acreditam que ela aprende construindo seu conhecimento devem ser advertidos da possibilidade de a criança não se alfabetizar com sua ajuda.

Posologia

Textos diversificados, atividades de acordo com o nível de aprendizagem que a criança se encontra, num total de pelo menos quatro horas diárias. Advertimos que quando as atividades não são administradas em conformidade com as doses preconizadas e não são mediadas
corretamente pelo professor, não se promove alfabetização significativa.

Uso sob prescrição pedagógica.

Responsável técnica: Professora Ligia F. Jacomini Machado
Mandaguari – Paraná – Brasil

FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Coletânea de Textos, módulo 1, janeiro 2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/colet_m1.pdf>.

sábado, 4 de maio de 2013

Tarefa Webquest

Minha Webquest está pronta. Espero que vocês gostem e a utilizem em suas salas de aula, tenho certeza que os alunos irão adorar. Ela é resultado de algumas adaptações que fiz em um plano de aula que desenvolvi com meus alunos do 1º ano do Ensino Fundamental na escola em que trabalho.
Até breve.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Reportagens interessantes


Olá pessoal! Organizando alguns materiais hoje, encontrei um exemplar da Revista Nova Escola, que assino há alguns anos. Na edição de abril/2012, a revista trouxe uma matéria de capa dedicada ao tema Alfabetização, propondo uma reflexão sobre como ocorre o processo de aquisição da escrita articulando-a à práticas de leitura e produção de textos. Confira abaixo o que diz a reportagem de Elisângela Fernandes.

Combinação perfeita. Foto Paulo Vitale. Ilustração: Anna CunhaAlfabetização: como trabalhar linguagem e reflexão sobre o sistema juntos

Saiba como articular as práticas de leitura e de produção de texto à reflexão sobre a escrita durante projetos e sequências didáticas


"O que Chapeuzinho Vermelho pergunta primeiro ao Lobo: que olhos grandes você tem ou que orelhas grandes você tem?", indaga a professora após apresentar o conto à turma do 1º ano. Resolver esse problema é um grande desafio para quem está no início da alfabetização. Afinal, responder com segurança exige voltar ao texto e buscar as palavras olhos orelhas, que começam e terminam com as mesmas letras. Propostas como essa, que tem por objetivo levar à reflexão sobre o sistema de escrita durante a leitura e a produção de texto, ainda são raras nas nossas salas de aula. 

A tarefa de pensar sobre o funcionamento da escrita tem ficado restrita às atividades permanentes, com listas e textos memorizados, como cantigas e parlendas. Nada contra elas - que podem e devem continuar na rotina. Mas por que não aproveitar os momentos em que as crianças estão lendo ou produzindo um texto sobre um animal na aula de Ciências, por exemplo, para também levá-las a pensar sobre os aspectos do sistema alfabético e as relações grafofônicas? "Combinar a reflexão sobre a escrita com as práticas sociais de leitura e produção de texto é muito mais efetivo", diz Beatriz Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. 

Uma boa proposta de alfabetização requer planejamento e pressupõe saber como os alunos escrevem (leia a reportagem), organizar a rotina em projetos, sequências e atividades permanentes e escolher bons materiais de leitura e estudá-los. Além disso, não podem faltar em sala as letras do alfabeto, a lista de nomes dos estudantes, livros e os textos da garotada. Assim, na hora de escrever, todos poderão se apoiar em palavras conhecidas ou verificar em fontes oficiais se as antecipações feitas estão corretas. 

Veja um exemplo: os alunos leem a capa de um livro ilustrado com um elefante e cujo título é Animais. Ao ler, eles antecipam - com base apenas na imagem - que a obra se chamaElefantes. Para que se apoiem no texto, você pergunta qual a primeira letra da palavraelefantes. Alguém responde "E", volta ao texto para ver se está correto e se depara com o A. "É como um jogo: se a antecipação não é adequada para resolver o problema, é preciso procurar outras pistas", explica Diana Grunfeld, presidente da Rede Latino-Americana de Alfabetização, na Argentina. 

À medida que avançam em suas hipóteses de leitura e escrita, os estudantes desenvolvem, com base no trabalho do professor, alternativas de verificação cada vez mais sofisticadas. Inicialmente, diferenciam as figuras dos textos. Depois, imaginam que só é possível ler algo com mais de três letras. Por fim, fazem análises qualitativas, verificando principalmente as letras iniciais e finais de cada palavra. A todo momento, devem estar tranquilos para escrever como sabem e cientes de que terão todo o ano para aprender. 

Para que você possa ajudar ainda mais a turma nesse trajeto, nas páginas seguintes, mostramos na forma de história em quadrinhos seis atividades de reflexão sobre o sistema inseridas em situações de leitura e de produção de texto. Elas fazem parte da sequência didática A Diversidade dos Animais, elaborada pela equipe de Práticas de Linguagem da Divisão de Educação Primária de Buenos Aires, na Argentina. A intervenção do professor, como você verá, é essencial para que o aluno compreenda como se escreve.

Utilizar um índice ou uma lista
Sozinhos ou em grupos, os alunos devem folhear livros e enciclopédias para interpretar ilustrações e encontrar informações sobre animais. Mostre o índice de algum dos volumes consultados e explique de que forma ele ajuda a localizar o que procuramos. Distribua cópias de parte do índice ou de uma lista com nomes de bichos que começam com a mesma letra. Leia os nomes em uma ordem aleatória e não aponte para cada um deles enquanto lê. Escolha um termo e proponha uma discussão.

Utilizar um índice ou uma lista. Ilustração: Anna Cunha
Para responder qual é CANGURU, os alunos pensam e voltam ao texto para verificar a resposta. Depois, justificam a escolha e reavaliam suas ideias com base no que os colegas disseram. As crianças têm diferentes saberes sobre a escrita e procuram o termo com base na análise sonora e nas letras iniciais e finais, observam a palavra na totalidade ou identificam nela parte do nome do amigo. Socializar as respostas e os procedimentos utilizados por cada um ajuda todos a avançar.



Escrever e analisar a informação registrada 

Como preparação para um estudo de campo, defina com os alunos os materiais necessários, os animais a serem pesquisados, que características observar e como tomar notas. Forme grupos de três e explique que cada criança deve escrever o nome do animal que irá observar e informações como número de membros e tipo de revestimento. De volta à sala, é hora de ler as anotações, compartilhá-las e revisá-las. Passe pelos grupos, observe como escreveram e inicie a discussão.

Escrever e analisar a informação registrada. Ilustração: Anna Cunha
As intervenções feitas em sala levam as crianças a descobrir contradições e lacunas em suas anotações. Ao revisá-las e confrontá-las com as dos colegas, elas colocam em jogo várias práticas de leitura e escrita: leem suas anotações e ouvem as dos outros, comparam os dados registrados, discutem sobre qual informação convém ou não tirar do texto que escreveram e completam as próprias anotações. Com isso, reavaliam suas ideias e avançam em suas hipóteses de escrita.

Completar uma tabela e analisá-la 

À medida que segue o estudo sobre os animais, organize com as crianças as informações pesquisadas nos livros e durante o trabalho de campo. Uma tabela é preenchida conforme elas ampliam os conhecimentos sobre o tema. Faça uma cópia dela, deixando algumas colunas vazias para que a turma complete com os dados correspondentes.

Completar uma tabela e analisá-la. Ilustração: Anna Cunha
As discussões são iniciadas com Taís e Francisco para que todos entendam como deve ser o trabalho em dupla. As questões colocadas fazem com que as crianças justifiquem suas escolhas, explicitem seus argumentos e interpretem seus escritos para os demais. Francisco tem uma hipótese de escrita silábica com valor sonoro convencional e a reflexão de Taís traz problemas novos para ele, o que é muito útil nesse momento da aprendizagem.

Ler para preencher um álbum 

Os alunos devem completar um álbum de figurinhas. Escolha uma das páginas em que aparece um tipo de animal - por exemplo, os peçonhentos. Peça que as crianças leiam o nome registrado abaixo do espaço reservado para cada imagem antes de selecionar a que será colada. Além de ampliar os saberes sobre os bichos, a turma deve refletir sobre a língua escrita.

Ler para preencher um álbum. Ilustração: Anna Cunha
Os conhecimentos prévios dos alunos são levados em consideração pela professora, que faz diferentes perguntas para que todos avancem. Com isso, ela possibilita a reflexão sobre aspectos quantitativos (o tamanho da palavra e o número de letras que a compõem) e os qualitativos (quais letras usar). Os mais avançados podem comparar termos que começam e terminam da mesma forma. Assim, pensam a respeito da palavra como um todo.

Escrever legendas 

Proponha que, em duplas, os alunos façam legendas para imagens de animais. Eles devem escrever o nome das partes do corpo indicadas com setas e algumas características relacionadas ao conteúdo. Para ajudá-los a resolver as dúvidas, deixe ao alcance de todos as letras do alfabeto, uma lista com o nome dos alunos, fichas com as anotações sobre os animais estudados e livros diversos.

Escrever legendas. Ilustração: Anna Cunha
As intervenções da educadora contribuem para que a turma perceba as diferenças entre o falado e o escrito, como ocorre com os dois meninos. Além disso, ela cria situações que possibilitam às crianças se apoiar nas letras iniciais e finais das palavras para verificar se a antecipação que fizeram está correta. Esse foi o caso das duas garotas, que precisaram recorrer a um texto de referência para saber se estavam certas ou não ao escrever "patas traseiras".

Localizar informações 

Peça que os alunos verifiquem se o que eles escreveram sobre as partes do corpo de um dos animais estudados em sala corresponde ao que informa a enciclopédia. Para isso, mostre a eles a página que contém as informações pertinentes.

Localizar informações. Ilustração: Anna Cunha
Ao pedir algo específico, a educadora possibilita aos pequenos distinguir a imagem e o texto. Localizada a legenda, o desafio é encontrar uma parte da cadeia gráfica, ajustando o falado ao escrito, as letras e partes de palavras conhecidas. Nesse jogo entre a possibilidade de antecipação e a necessidade de verificação, a turma vai aprendendo a ler sem abrir mão do significado dos textos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Curso de Pós-graduação Mídias na Educação

Quero compartilhar com vocês algumas produções que tenho feito no curso de Mídias na Educação. Este texto é resultado de uma das atividades que realizamos no módulo Uso Pedagógico das ferramentas de Interatividade. 


O USO DO FACEBOOK COMO FÓRUM DE DISCUSSÃO: RELATO DE UMA PRÁTICA NO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

Todos já temos consciência do espaço que as tecnologias da informação e suas ferramentas tomaram no nosso cotidiano.  Pois bem, basta agora, que saibamos como utilizá-las a nosso favor, buscando adequá-las as nossas necessidades.
Como educadores, temos uma função mais especial ainda, que é ajudar nossas crianças e jovens a utilizar as tecnologias de maneira segura, ética e responsável[1]. Sendo assim, podemos nos questionar sobre como as mídias, especialmente as sociais, afetam a nós, educadores, e a nossos alunos e se há possibilidades de empregá-las dentro da nossa rotina em sala de aula para ensinar e aprender.
Nessa perspectiva, podemos citar como exemplo uma experiência concreta que estamos vivenciando neste início de segunda etapa do Curso de Pós-graduação em Mídias na educação. Uma das atividades do Módulo Interatividade propôs que nós, alunos, utilizássemos a ferramenta Facebook para discutirmos com os colegas e professores do curso sobre a importância da integração das mídias em sala de aula. Para tanto, os professores criaram um grupo no Facebook para nosso Polo e, os alunos que ainda não tivessem uma conta, deveriam criá-las, fazendo uso de um tutorial disponibilizado nas Leituras Complementares. O segundo passo foi esperar o convite para participar deste grupo e, após adicionar os colegas, debater o tema acima citado. Cabe lembrar que, através do Facebook, não foi preciso que marcássemos um horário definido para acessar o grupo e expor nossos comentários e opiniões, pois esta ferramenta nos permite interagir e compartilhar com os outros no momento em que nos for mais adequado. Após essas duas semanas de interação, como ponto culminante da atividade, deveríamos registrar essa prática pedagógica do uso do Facebook através de um relato, no qual falaríamos sobre os pontos positivos e negativos da mesma.
Como participante deste grupo, realizei a atividade proposta e posso afirmar que o uso da ferramenta Facebook foi relativamente fácil para mim, pois eu já possuía uma conta e sempre que possível interajo e compartilho informações e conhecimentos. Em relação à atividade propriamente dita, acredito que foi muito interessante e diferente poder participar de uma discussão sobre um tema pré-definido, visto que, na maioria das vezes isso não ocorre no Facebook, pois as pessoas postam e compartilham o que bem entendem e, geralmente, os assuntos que estão em destaque no momento, como hoje, por exemplo, o tomate.
Dessa forma, podemos destacar que a discussão e interação através do Facebook, em um grupo de estudos, com tema pré-definido é um ponto positivo, pois todos os participantes deverão expor suas ideias e opiniões sobre o mesmo assunto, independentemente se concordam ou discordam entre si. Do contrário, temos um ponto negativo, ou seja, se dentro desta atividade nos fosse proposto somente o acesso e simples participações, cada um usaria o Facebook sem intencionalidade nenhuma, como ocorre hoje em dia. As pessoas simplesmente postam informações mal tencionadas sobre o que lhes interessa, sem que se construa um conhecimento sobre isso e sabemos que informação não é conhecimento, mas somente a primeira etapa para se chegar a ele. Para conhecermos realmente, precisamos “trabalhar com as informações classificando-as, analisando-as e contextualizando-as” (MORIN apud PIMENTA, 2008, p.21). [2]
E é justamente esse o ponto principal de nossa prática enquanto educadores: buscar o uso de ferramentas como o Facebook, dando a elas uma conotação pedagógica, no qual nossos alunos possam utilizá-las como um instrumento que auxilie na sua aprendizagem e não somente para diversão. Exatamente o que em nossa experiência nestas duas semanas de estudos.
A atividade que desenvolvemos através do uso do Facebook também teve outros pontos importantes e positivos que podem ser sintetizados por Luís Fernandes[3], que em seu artigo “Redes Sociais Online e Educação: Contributo do Facebook no Contexto das Comunidades Virtuais de Aprendentes”, da Faculdade Nova de Lisboa, relatou outras funcionalidades e potencialidades do Facebook, tais como:

Promover o ensino cooperativo e colaborativo, desenvolver competências essenciais no mundo globalizado e tecnológico, fometar a partilha do conhecimento, promover uma maior participação no processo educativo, promover a reflexão crítica e criação de novas ideias, desenvolver a comunicação e linguagem e estimular a motivação e o interesse.


            Além disso, a atividade que realizamos revelou a importância do papel do professor como o propositor e mediador do debate, assim como nós, em nossa sala de aula precisamos oportunizar aos nossos alunos espaços em que eles possam apresentar suas ideias, pensando em novas maneiras de envolvê-los nos projetos.
            Esta prática de ensino desenvolvida no curso nos possibilitou ver que é possível sim incluir as diferentes mídias e tecnologias em sala de aula com intuito pedagógico, afinal de contas é notório que elas podem tornar a aprendizagem mais contextualizada, mais interativa e mais prazerosa. Por outro lado, não podemos nos iludir, pensando que as tecnologias e mídias se tornarão a “salvação da lavoura” [4], visto a situação em que o ensino se encontra. Há de se ter claro que as tecnologias e mídias somente por si só não poderão gerar todas as mudanças tão esperadas no processo pedagógico, pois, ao contrário, elas também podem reforçar o ensino tradicional, dependendo do uso que se faz delas.
De acordo com José Manuel Moran[5] a palavra-chave é integrar:

Integrar a Internet com as outras tecnologias na educação - vídeo, televisão, jornal, computador. Integrar o mais avançado com as técnicas convencionais, integrar o humano e o tecnológico, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa, aberta.

Este significado que o autor dá à integração das tecnologias e mídias, contudo, vai além de simples recursos tecnológicos. Tal conceito perpassa desde as questões pedagógicas mais emergentes, abrangendo da mesma forma questões sociais, como a inclusão e o exercício da cidadania.
Portanto, podemos concluir que a integração das tecnologias e mídias na educação deve acontecer num contexto de mudança também do processo de ensino-aprendizagem, em que a escola, como um todo, possa vivenciar continuamente diálogos abertos e de conhecimentos individual e grupal efetivos.









[1] PHILLIPS, Linda Fogg; BAIRD, Derek; M.A., e FOGG, BJ. Facebook para educadores. Disponível em: < http://lantec.fae.unicamp.br/ed88/Xconteudos-digitais/arquivos/facebook-para-educadores-guia-PT.pdf>. Acesso em 12 abr. 2013.
[2] PIMENTA, Selma Garrido (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
[3] FERNANDES, Luís. Redes Sociais Online e Educação: Contributo do Facebook no Contexto das Comunidades Virtuais de Aprendentes. Disponível em: <http://www.trmef.lfernandes.info/ensaio_TRMEF.pdf>. Acesso em 12 abr. 2013.
[4] Grifo meu.
[5] MORAN, José Manuel. Como utilizar a internet na educação. Revista Ciência da Informação, vol. 26, n. 2, maio-ago., 1997, p. 146-153.

Textos sobre Alfabetização

Meu pai, Celso, é aluno do curso de Licenciatura em Pedagogia à Distância da UFPEL, no Polo da UAB de Constantina. No semestre passado, ele elaborou um texto para cumprir uma das tarefas solicitadas no curso e que fala justamente da temática da Alfabetização. Espero que vocês gostem e possam aproveitá-lo.

O processo de alfabetização

Celso Luiz Belusso

Na construção das práticas pedagógicas de alfabetização o professor deve estar consciente do seu papel como alfabetizador. Neste sentido, o professor deve iniciar seu trabalho na alfabetização realizando uma sondagem com o objetivo de verificar a bagagem de conhecimentos que cada criança traz consigo ao ingressar na escola, para poder realizar um trabalho de ação pedagógica com enfoque no desenvolvimento e construção da linguagem falada e escrita, deixando de lado uma metodologia imposta por cartilha ou por qualquer tipo de livro didático, por exemplo, e partindo então da leitura de mundo de seus alunos.
Sabe-se que existem diferentes métodos de alfabetização que podem ser utilizados, porém nem todos estes métodos condizem com a realidade da clientela escolar. Por isso, é necessário conhecer a realidade de cada aluno para realizar um planejamento com metodologia adequada para cada nível de criança.
Atualmente, a realidade social colocou na alfabetização novas demandas e necessidades que ensinam a criança ler, escrever, se expressar de maneira correta, propondo aos professores que deixassem de lado os métodos tradicionais de ensino, pois estes acabam dificultando o processo de aprendizagem da leitura e da escrita por parte da criança ou do adulto.
Certamente que com os métodos tradicionais de ensino que usam o método da silabação, por exemplo, é possível aprender a ler e escrever, entretanto, hoje, percebe-se que tal metodologia leva à mera codificação e decodificação, reduzindo a alfabetização a um domínio mecânico.
Compreende-se que a alfabetização não pode ser um processo baseado  na percepção e memorização, mas sim, para aprender a ler e escrever, o aluno necessita construir um conhecimento  que compreenda não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem. A alfabetização deve ser um processo de construção do conhecimento pela interação existente entre o aluno e o objeto de conhecimento.
A escola, enquanto instituição social, é responsável pela formação sistematizada do indivíduo, proporcionando o crescimento das competências indispensáveis à construção do conhecimento dos seus educandos. Na perspectiva de uma educação de qualidade a qual desejamos e precisamos, o educador é um dos  sujeitos desse processo tão necessário quanto o aluno, de mudanças de ações, criatividade de pensamentos entre outros aspectos importantes para a alfabetização. Sabe-se que o ensino sempre teve como objetivo transmitir conhecimentos com técnicas de aprendizagem de alfabetização, não dando oportunidade para que o próprio aluno possa construir este conhecimento. É neste sentido que a escola para atender essa demanda deve rever suas práticas pedagógicas possibilitando ao aluno aprender a partir da diversidade de materiais didáticos disponíveis que circulam atualmente no processo de ensino/aprendizagem da alfabetização.
O professor como mediador precisa ampliar constantemente seus conhecimentos, criando situações prazerosas e diversificadas que despertem o interesse do aluno, seu aprendizado, sem que este seja imposto ou forçado, mas sim, que seja espontâneo. No processo de alfabetização não basta o professor só criar um ambiente agradável, mas ter competências metodológicas para exercer esse processo. É preciso provocar nos alunos a curiosidade e o desejo de aprender através de práticas pedagógicas inovadoras que facilitem o acesso ao mundo da escrita tornando-o um ser capaz de exercer adequadamente suas funções no meio em que vive e na sociedade.
A prática pedagógica não está pronta e definida. Ela está sempre em reformulação e avaliação, afinal, se adquire praticando, exercitando os trabalhos diariamente em sala de aula com nossos alunos. O educador não pode simplesmente conhecer determinado assunto, precisa ir além, ter práticas pedagógicas em construção constante, ter claro em sua compreensão que ensinar não é transmitir o conhecimento, mas permitir ao aluno que ele próprio o produza. Analisando desse modo o processo de alfabetização, certamente, nós professores conseguiremos nos aproximar da realidade dos nossos alunos.  



terça-feira, 23 de abril de 2013

Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa

Colegas! Neste ano de 2013, a Secretaria Municipal de Educação de Engenho Velho/RS, assim como as demais Secretarias de Educação do Brasil inteiro, aderiu ao Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa. Em nossas escolas, foram mobilizados os professores alfabetizadores do 1º, 2 e 3º anos do Ensino Fundamental. No mês de fevereiro deste ano, já inciamos o período de formação continuada presencial destes professores. 
Abaixo, seguem algumas explicações sobre o que é o PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA.

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa é um compromisso formal assumido pelos governos federal, do Distrito Federal, dos estados e municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.
Alfabetização
Aos oito anos de idade, as crianças precisam ter a compreensão do funcionamento do sistema de escrita; o domínio das correspondências grafofônicas, mesmo que dominem poucas convenções ortográficas irregulares e poucas regularidades que exijam conhecimentos morfológicos mais complexos; a fluência de leitura e o domínio de estratégias de compreensão e de produção de textos escritos.
No Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, quatro princípios centrais serão considerados ao longo do desenvolvimento do trabalho pedagógico:

1. o Sistema de Escrita Alfabética é complexo e exige um ensino sistemático e problematizador;
2. o desenvolvimento das capacidades de leitura e de produção de textos ocorre durante todo o processo de escolarização, mas deve ser iniciado logo no início da Educação Básica, garantindo acesso precoce a gêneros discursivos de circulação social e a situações de interação em que as crianças se reconheçam como protagonistas de suas próprias histórias;
3. conhecimentos oriundos das diferentes áreas podem e devem ser apropriados pelas crianças, de modo que elas possam ouvir, falar, ler, escrever sobre temas diversos e agir na sociedade;
4. a ludicidade e o cuidado com as crianças são condições básicas nos processos de ensino e de aprendizagem.

Dentro dessa visão, a alfabetização é, sem dúvida, uma das prioridades nacionais no contexto atual, pois o professor alfabetizador tem a função de auxiliar na formação para o bom exercício da cidadania. Para exercer sua função de forma plena é preciso ter clareza do que ensina e como ensina. Para isso, não basta ser um reprodutor de métodos que objetivem apenas o domínio de um código linguístico. É preciso ter clareza sobre qual concepção de alfabetização está subjacente à sua prática.
Para conhecer melhor o Pacto
As Ações do Pacto apoiam-se em quatro eixos de atuação:

1. Formação continuada presencial para os professores alfabetizadores e seus orientadores de estudo;
2. Materiais didáticos, obras literárias, obras de apoio pedagógico, jogos e tecnologias educacionais;
3. Avaliações sistemáticas;